Olá!

Eu sou o Fernando Baiardi, criador do Cão Ativo. Comecei no ramo de dog walker em 1995 e foi este trabalho que me deu a oportunidade de desenvolver este projeto, que hoje capacita pessoas para exercer esta função que está em amplo crescimento no Brasil.

Quando comecei, o mercado era praticamente inexistente no país. Tanto que fui considerado – em artigo publicado pela Revista da Folha – o primeiro dog walker profissional do Brasil. É uma honra ter tido este reconhecimento.

O Cão Ativo surgiu em 2011 como uma forma de passar minhas experiências adquiridas nas minhas muitas andanças com os meus amigos de quatro patas. Nestes mais de vinte anos de serviço convivi com mais de 350 animais. O aprendizado proporcionado pela vivência com cada um deles foi essencial para me preparar como instrutor de dog walker.  O curso que ministro já capacitou mais de 1200 profissionais e é referência em todo o país.

Amor antigo

Os primeiros cachorros dos quais tenho lembrança se chamavam Bob, um pequinês, e Radar, um cão policial – na época, cão policial era todo cachorro grande com pelos escuros no dorso.

Bob era o cão que minha família mantinha dentro de casa e Radar era de quintal. Criei um vínculo muito grande com este último, talvez porque mesmo sendo criança eu já percebesse o quanto era estranho para um cachorro ter um tratamento diferenciado do resto da matilha. Ainda me lembro do cheiro de sua casinha. Era lá que me refugiava quando estava contrariado ou não queria me relacionar com “gente”. Ele me entendia e sempre me recebia muito bem. Para algumas pessoas, Radar era considerado bravo, mas para mim era o mais gentil dos cães.

Tive muita sorte em compartilhar esta minha afinidade com os animais com a minha mãe, que me acobertava em minhas adoções, muitas vezes problemáticas, de cães doentes, idosos ou ainda filhotes. Com isso tive a oportunidade de conviver com cães de diversos comportamentos e históricos. Alguns vinham cheios de manias e medos enquanto outros já chegavam prontos para um bom convívio.

Observando-os aprendi que, na verdade, todos esperavam por regras e limites de alguém que os guiassem. E percebi que quanto mais me colocava na posição de líder, mais tranquilos e equilibrados eles se tornavam.

Além disso, minha mãe religiosamente os levava para uma caminhada todos os dias. Ela sempre dizia que se naquela determinada hora não saíssem, os cachorros não iriam sossegar e não dariam sossego a ela. Sem saber, a minha mãe foi minha maior e melhor inspiração de dog walker.

Quando o dom chama por você

Mesmo gostando muito de cães, a vida me levou para outros caminhos. Eu me envolvi com Administração em Recursos Humano e trabalhei na área por muitos anos. Até que minha paixão me fez desistir da estabilidade de um emprego em uma multinacional. Eu sabia que não seria fácil, mas nada é mais prazeroso do que trabalhar com o que se ama.

Quando, em 1995, eu decidi me especializar como dog walker, me deparei com muitos olhares curiosos e incrédulos. Contudo, isso nunca me desanimou, sempre acreditei que mais cedo ou mais tarde as pessoas perceberiam o quanto “passear” com seus cães é importante para os animais.

Aliás, este termo “passear” é totalmente equivocado. Esta palavra está muito associada a algo de lazer, que só deve ser feito quando se tem tempo. Para os cães, no entanto, as caminhadas diárias vão muito além da ideia de lazer. É quase um remédio, uma necessidade fisiológica que ajuda a mantê-los ativos e sadios.

Claro que no início foi complicado. Como a profissão era muito incomum, não havia muitos clientes dispostos a pagar alguém para sair com os seus cães. Quem fazia isso eram as empregadas, motoristas ou os próprios donos, que saiam quando podiam.

Foi então que comecei a fazer cursos de adestramento e a trabalhar com treinamento e transporte de cães para veterinários e clinicas de estética. Com o tempo os clientes foram aparecendo e as indicações foram aumentando.

Como este serviço despertava muita curiosidade, pois as pessoas viam um profissional de uniforme, equipamentos de condução nas mãos, cães obedientes, normalmente quatro ou até seis cães nas guias, caminhando todos os dias pelo mesmo local com chuva ou com sol, acabavam por ficar intrigadas e questionavam: “você vive disso?”.

Criar um serviço e inseri-lo em um mercado que não existia não foi fácil, mas sempre acreditei que mais cedo ou mais tarde as pessoas sentiriam esta necessidade. Foi realmente um investimento a longo prazo. Mas depois de alguns anos as pessoas perceberam não só como é maravilhoso desfrutar da companhia de um cão, mas também que eles só ficam mais tranquilos e realizados gastando sua energia diariamente, ao mesmo tempo que aprendem sobre regras e limites.

Com muita persistência, constante aperfeiçoamento e responsabilidade cheguei a trabalhar com trinta e seis cães por dia, divididos, obviamente, em matilhas de até sete cães por horário. E ainda contava com uma “listinha” de espera para novos clientes.

Em todo este período pude viver muitas situações de rua e imprevistos que renderiam um livro. São muitas histórias. E sou grato a cada uma delas, a cada um de meus clientes, pois sem dúvida nenhuma, a experiência foi a melhor escola que eu poderia ter.