Seria Halley descendente de dobermans?
Um dia meu padrasto me colocou no carro para buscar minha mãe no trabalho, como fazíamos com certa regularidade. Lembro que era horário de verão e o dia ainda era claro. E fomos parar num lugar estranho um tanto fora da nossa rota costumeira.

Logo que paramos o carro, logo surgiu uma mulher com vários filhotes sem raça definida numa caixa de sapatos. E meu padrasto sugeriu que eu escolhesse um. Escolhi um pretinho e fomos buscar minha mãe, que já escolhera até o nome do novo mascote: Halley.

Era uma referência ao cometa que passava a cada 90 anos, ou algo do tipo, pela órbita terrestre – e que passaria de novo por aqueles dias. Só que naquele ano choveu e de nada adiantaram as lunetas. Não vimos cometa nenhum. Como consolo, já tínhamos o nosso em casa.

Halley adorava futebol. E não foram raras as vezes em que ele se travestiu de Taffarel enquanto eu era o atacante que soltava foguetes na bola de tênis. Com raro reflexo, o cachorro incrivelmente defendia as pancadas.

O vira latas era também altamente ciumento. Não foram raras as vezes em que, sob a mesa, meu pé ou perna se aproximou ao da minha mãe ou padrasto e só não tive os meus pés triturados graças a meus tênis ou botas.

Lembro de que um dia eu estava deitado no sofá enquanto minha mãe fazia tricô. O novelo de lã caiu e, ato contínuo a eu pegar o objeto, Halley arrebentou minha mão esquerda furando, inclusive, uma veia.

Daí que pela ciumeira, passou a ser lenda viva em casa. Alguém inventou que ele era fruto de um relacionamento de vira lata (mãe) com doberman (pai). Mas a verdade sobre tese, que minha mãe sempre recitava, nunca saberemos.

#caoativoclub

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